sexta-feira, 26 de setembro de 2008

Kom ash-Shuqqafa - o achado de um burro

À chegada à cidade, a nossa primeira paragem é no complexo de catacumbas de Kom ash-Shuqqafa [século II d.C.] considerado a maior necrópole greco-romana do Egipto.
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O acesso às catacumbas faz-se por uma escada em espiral em torno do poço por onde eram descidos os corpos.
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Nesta necrópole existe, ainda, uma área dedicada à Némsis (a Deusa do Desporto,] crendo-se que as ossadas dos cavalos aí encontradas pertenciam a cavalos de corrida vencedores.
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Este achado só foi possivel graças às operações de resgate a um burro que caira no poço.
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Cabeça de estátua de Ramsés II descoberta no delta do Nilo


Cairo, 26 Set (Lusa).- Arqueólogos egípcios descobriram uma cabeça de granito pertencente a uma estátua de Ramsés II no Delta do Nilo (norte do Egipto), informou quarta-feira o Conselho Superior de Antiguidades (CSA) em comunicado, segundo a EFE.

A peça foi encontrada num sítio arqueológico em Tell Basta, na província de Sharquiya, e estava enterrada a 1,5 metro de profundidade, afirmou o ministro da Cultura do Egipto, Farouk Hosni.
Hosni também afirmou que os arqueólogos egípcios encontraram a cabeça quando realizavam escavações na região.

"Os estudos iniciais demonstram que a cabeça da estátua pertence ao faraó Ramsés II, tem traços definidos e o nariz e o queixo estão partidos", declarou Hosni.

Por outro lado, o secretário-geral do CSA, Zahi Hawas, afirmou que "as escavações neste sítio podem levar à descoberta de um templo de Ramsés II com os restos da estátua, que pode ter até 4,5 metros de altura".

Tell Basta é um dos sítios arqueológicos mais importantes da região do Delta do Nilo, um conjunto de ruínas que indica o local da antiga Bubastis.

Segundo o historiador grego Heródoto, Bubastis - capital egípcia durante a 22ª dinastia - era considerada a cidade mais culta do Egipto. Aí se venerava a deusa Bastet, representada pela figura de uma mulher com a cabeça de gato.

Fonte: Agência LUSA

Alexandria


Este é o nosso último dia no Egipto. O dia promete ser longo.

Enquanto a Anabela, a Dulce, a Sónia, o Aires, o Nuno e o Sérgio preferem ficar pelo Cairo para um dia preenchido com visitas e contactos com a população cairota, a grande maioria do grupo segue o líder, rumo a Alexandria para ver coisas lindas, maravilhosas e cheias de história.

Aquela que foi fundada por Alexandre o Grande, no ano de 332 a.C., e considerada a capital do mundo helénico, a Cidade de Alexandria foi, também, o berço de uma nova dinastia de Faraós - a dos Lágidas - a que pertenceu a famosíssima Cleópatra VII.


Cleópatra VII - Qualquer semelhança com a ficção é pura realidade.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Com o coração na boca...

Terminado o espectáculo, é tempo de voltar ao autocarro. No trajecto sou abordado por um jovem cairota que me pertende vender postais das pirâmides. Eis quando ponho a mão ao bolso para tirar a carteira, me apercebo que a tinha perdido.
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Dado o sinal de alarme, entro a correr no recinto acompanhado por um segurança que me de a sensação não ter compreendido o que se tinha passado. Provavelmente, pensaria que eu estaria a arranjar um esquema para assistir ao espectáculo que acabara de iniciar em língua francesa. Daí se ter limitado a acompanhar-me para ver se não me sentaria numa cadeirinha a assistir ao show.
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Desesperado por ter na carteira uma considerável soma de dinheiro, volto ao autocarro na expectativa de encontrá-la dentro da mochila. No entanto, o Cacildo confirmava-me o pior. A carteira não estava lá.
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É entáo que volto ao recinto do espectáculo, desta vez acompanhado pelo Ahmed que, em árabe, explica a gravidade do sucedido.
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Acompanhado pela polícia e pelos seguranças, vamos ao local onde nós tinhamos estado sentados a assistir ao espectáculo. Falo com um casal de franceses que, não tendo encontrado a carteira, acabou por se desligar do espectáculo e, também eles se puseram a procurar a carteira.
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Uma vez mais, o resultado parecia ser infrutifero, quando sou surpreendido pela voz de um segurança que corre para mim com um objecto na mão. Sim é a carteira. E vem a correr para me a devolver.
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Já com ela na minha posse e tendo verificado que não tinha sido remexida não pude deixar de recompensar este egípcio pela sua honestidade e integridade.

Um espectáculo de luz e som


Foi ao som de gaitas de foles que entramos para o famoso espectáculo de Luz e Som nas Pirâmides.

Mal nos sentamos, um casal de ingleses parecia apostado em tirar-me do sério pelo incómodo que o flash da minha máquina fotográfica lhes pudesse causar.

No entanto, porque nestas coisas o melhor é não dar conversa, desliguei o flash e alterando as definições da máquina, obtivemos as fotografias de algusn quadros que agora aqui partilhamos convosco...

Os Parabéns a Sofia



De regresso ao hotel, é tempo de jantar e cantar os parabéns à Sofia. É verdade que o grupo tentou sensibilizar o serviço do restaurante para esta ocasião. No entanto, porque pediam 28 euros por um bolo de aniversário, a Sofia fez de uma fatia de bolo de chocolate o seu bolo de anivarsário, e todos cantamos os parabéns.

De facto, um verdadeiro contraste com o tratamento dado a uma turista americana, no Nile Admiral, que por ocasião do seu aniversário, teve direito a um bolo de aniversário e a ouvir os Parabéns cantados em inglês, árabe e português.

Turistas europeus sequestrados foram levados para a Líbia

Cairo, 25 Set (Lusa) - Os sequestradores que fizeram reféns 11 turistas europeus, mais oito guias e motoristas egípcios, em safari no deserto a norte do Sudão, levaram o grupo para a Líbia, foi hoje anunciado por um responsável governamental de Cartum.

As tropas sudanesas estão a monitorizar os movimentos dos sequestradores que, a bordo de três viaturas todo-o-terreno, cruzaram a área montanhosa de Oweinat (nordeste) em direcção à Líbia, precisou Ali Yussef, porta-voz da diplomacia de Cartum.

A mesma fonte adiantou que neste momento os reféns, capturados por homens armados no planalto de Gilf al-Kebir, sul do Egipto, estão 15 quilómetros dentro de território líbio
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Dos 11 europeus, cinco são alemães e outros tantos italianos (dois dos quais septuagenários), e um romeno.

O governo egípcio e o Ministério do Turismo, não obtiveram confirmação da presença do grupo na Líbia, segundo o porta-voz Magdy Rady.

Os sequestradores, alegadamente de quadrilhas tribais, pedem um resgate de 15 milhões de dólares (10 milhões de euros), estando em negociações (telefónicas) confirmadas por Berlim, mas ainda sem resultados.
Fonte: Agência LUSA

No Bazar de Khan al-Khalili

Após a visita a este museu que se prepara para ser transferido para um novo espaço junto às Pirâmides de Gizé, houve ainda tempo para voltarmos ao coração do Cairo para uma visita ao Bazar de Khan al-Khalili.

Aqui podemos encontrar um pouco de tudo. Dos couros, passando pelas peças em latão, prata, alabastro, couro, cobre, cerâmica, perfumes, pelos tecidos de algodão, eterminando nos tradicionais papiros e peças de artesanato, não conseguimos ficar indiferentes a nada.

Como em qualquer área comercial, também aqui, a arte de bem regatear é o segredo para os bons negócios.

O Tesouro de Tutankamon

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Após o almoço, uma visita breve mas cheia de significado ao Museu do Cairo.

Pena que não fosse possivel fotografar ou filmar. No entanto, jamais nos esqueceremos das maravilhas que por lá vimos. Belas esculturas, sarcófagos, tronos, sepulturas e, como não poderia deixar de ser, o famoso tesouro do jovem faraó Tutankamon.

Enfim, nas Pirâmides...

O sol já vai alto quando o telefone toca para nos despertar. Hoje é o dia de aniversário da Sofia e o programa é marcado por visitas especialmente marcantes.
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A primeira delas ao Planalto de Gizé onde a Esfinge e as míticas pirâmides de Quéops, Quéphren e Miquerinos, consideradas uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo, esperam por nós.
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À história destas belas construções, juntam-se as fotografias para agora recordarmos...
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Junto à Esfinge, Farouk brinda-nos com mais uma história. Desta vez sobre o Faraó Tutmés.

Tutmés era filho do faraó Amen-hotep II, e embora tivesse muitos irmãos , era o preferido do pai. Como ele, o príncipe era muito forte e gostava de ir caçar leões ao deserto no seu carro.

Um dia estava numa caçada por Gizé; era um dia muito quente, e ao ver a Esfinge pensou que podia proteger-se dos raios do sol abrigado nela.

Naqueles tempos, a estátua estava quase totalmente coberta pela areia, e só a cabeça sobressaía projectando a sua sombra. Assim, apoiou-se nela e pouco tempo depois tinha adormecido.

Então teve um sonho em que o pai Ré lhe apareceu em todas as suas formas: "Meu filho, sou Khepri, Horakhti, Ré e Antum (refere-se às diferentes formas do sol. Ao amanhecer, na manhã, no zénite e ao enterdecer). Sou Harmakhis (Literalmente signfica: «Hórus que está no horizonte» que foi o nome que se deu à Esfinge). Ouve-me e oferecer-te-ei o reinado sobre o Egipto e a tua vida será longa. Para isso deverás afastar a areia que cobre o meu corpo e deixar-me livre dela. Fá-lo e serás faraó."

Ao acordar o príncipe, com uma grande excitação, regressou a Mênfis e pouco tempo depois organizou uma brigada para remover os escombros da Esfinge e livrá-la da areia. Harmakhis, por seu lado, cumpriu a sua promessa e ao morrer Amen-hotep II, o princípe Tutmés subiu ao trono com o nome Tutmés IV - Menkheperruré - (nome de trono: Eternas são as manifestações de Ré).

In O Ladrão de Túmulos de António Cabanas

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Farouk - um homem de coração grande


Se é verdade que esta visita nocturna estava a ser bastante agradável com milhares de pessoas nas ruas, para comemorar o fim do jejum diário do Ramadão, houve, contudo, um episódio que me tocou especialmente.
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Aquele em que o nosso lider convidou os 22 elementos do nosso grupo a visitarmos a sua casa para conhecermos a sua esposa e os dois filhos e provarmos um doce egípcio que é uma especialidade que ela teve a amabilidade de preparar para nós.
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Algo que além de inédito demonstra a grandeza deste homem que, de mim, merece todo o respeito e admiração.

Uma história por contar

Cidade dos Mortos-Vivos by Day

É a caminho da próxima etapa desta nossa visita que o nosso líder nos explica o conceito de cidade dos mortos-vivos. Algo que à primeira vista poderia parecer saído de um qualquer filme de terror. Mas tal não corresponde à verdade.

Assim, recuemos ao período do conflito entre o Egipto e Israel. Os cairotas menos abastados, sem possibilidade de fugir aos possiveis bombardeamentos israelistas, lembraram-se que os cemitérios seriam os únicos locais onde as bombas não cairiam e, aproveitando o facto da maioria dos jazigos parecerem autênticas habitações por incluirem salas, quartos e, em alguns casos, até possuirem cozinha - pois segundo a antiga tradição egípcia os familiares deveriam permanecer, anualmente, junto dos seus entes falecidos durante pelo menos 40 dias - os cairotas transformavam-nos, agora, nas suas próprias habitações abrigando-se, assim, de qualquer possivel bombardeamento israelita.

Porém, se é verdade que a guerra terminou, esta situação jamais se alterou. Hoje em dia, esses jazigos são ocupados por cerca de 1 milhão de sem-abrigos que, distribuidos pelos cinco cemitérios desta cidade com 16 milhões de habitantes, constituem, assim, a Cidade dos Mortos-Vivos.

Cairo by night - O Mausoléu do Presidente Sadat

Muhammad Anwar Al Sadat, foi Presidente da República Árabe do Egipto de 1972 a 1981, sucedendo a um outro grande Estadista, Gamal Abdel Nasser.
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Tendo colaborado com a Alemanha Nazi, contra a ocupação do Egipto pelo Reino Unido, foi preso pelas forças britânicas. Em 1952, participa no golpe que depõe o rei Farouk e, já na Presidência da República, recupera a Israel o Canal do Suez e os territórios no Sinai. Com ele, o Egipto torna-se no primeiro Estado Árabe a reconhecer o Estado de Israel e é assinado o acordo de Paz entre ambos.
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Conhecido por "Herói da Cruzada", é distinguido, em 1978, com o Prémio Nobel da Paz.
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Sadat é assassinado, em 1981, durante um discurso.
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Com a nossa visita, fica uma singela homenagem a este Grande Egípcio e Arauto da Paz - Muhammad Anwar Al Sadat.

Cairo by Night - Do hotel ao café típico


São 18h50, quando o autocarro deixa o hotel. A bordo muitos de nós vamos curiosos por saber o porquê do Cemitério dos Mortos-Vivos. No entanto, a primeira paragem é na Ponte dos Namorados onde além do Nilo pintalgado de embarcações iluminadas com lâmpadas de mil cores, temos a oportunidade de observar os imponentes arranha-céus de arquitectura bastante moderna. Um deles, é a Sede do Partido do Presidente Mubarak - o Partido Democrático.

Segue-se uma paragem num café típico no coração do Cairo, em al-Khalili. Além do habitual chá de menta e do café turco, somos convidados a fumar Shisha, o tradicional cachimbo de água.


Fumar é o que vamos ver. Porque se é verdade que alguns fumam...


... há quem se agarre à shisha para fazer dela o que se vê...

Tocar pifarinho


Auscultar o vizinho do lado

Porém, numa coisa estamos de acordo. A shisha proporciona bons momentos de prazer. Senão, vejam a próxima fotografia...


O mergulho


Chegados ao hotel, o mergulho foi a palavra de ordem - uns na piscina, os restantes, no vale dos lençóis.

Porque gosto de fazer um pouco de tudo, fui primeiro à piscina e depois, aterrei, na cama, para uma soneca. O problema foi mesmo para acordar. Não fosse o Manel e podem crer que que tinha ficado a dormir até ao dia seguinte.

Chegada ao Cairo

São 11 da manhã quando aterramos no Aeroporto Internacional do Cairo. À nossa espera está o Ahmed, o representante do Operador.


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Depois de levantadas as bagagens, encaminhamo-nos para o autocarro que nos conduzirá ao hotel.
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À semelhança da 2ª Circular, em Lisboa, o Cairo possui a Avenida da Liga Árabe. Uma avenida caracterizada pelos inúmeros clubes militares e pelo Palácio do Presidente da República, Hosni Mubarak.
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Passamos ainda pelo Cemitério dos Mortos-Vivos; pela Mukata e pela Mesquita de Alabastro.
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Antes de chegarmos ao hotel, uma paragem no Mena Papyrus Institute.

De Abu Simbel ao Cairo

São 7 da manhã, hora de tomar o pequeno-almoço que a tripulação do Nile Admiral nos preparou e dirigirmo-nos para o aeroporto de Abu Simbel, onde tomaremos o avião com destino a Assuão.

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Mal aterramos, seguimos o nosso lider até ao exterior do aeroporto para levantarmos as nossas bagagens.

Os Colossos de Abu Simbel


São 6 da manhã quando o autocarro chega, por fim, a Abu Simbel. Comprados os ingressos e revistadas as mochilas, eis-nos, enfim, naquele espaço magnífico.

A receber-nos, este magnífico nascer do sol.
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Nascer do Sol sobre o Lago Nasser, em Abu Simbel


Depois, são as maravilhas criadas pela mão humana em honra do Faraó Ramsés II e da sua esposa a Rainha Nefertari. Dois templos que nos esmagam pela sua grandiosidade e que bem merecem o sacrifício da viagem. Um verdadeiro COLOSSO!!!



Colossos de Ramsés II em Abu Simbel



Templo de Hátor construído por Ramsés II em honra à sua esposa a rainha Nefertari




Ramsés II


Foto de Familia cedida por Habibi Eduardo

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Os últimos momentos no Nile Admiral

Após um retemperante duche e o último jantar a bordo do Nile Admiral, subimos à cobertura do navio para ouvirmos o sons da cidade. Estamos no tempo do Ramadão. Por toda a cidade, ecoam-se as vozes dos imãs chamando os fiéis para a última oração do dia.
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Entretanto, enquanto os mais ajuízados se aninhavam nas esperguiçadeiras para aproveitar umas duas horas de sono, o Eduardo e dois dos três Pedros que constituíam o nosso grupo conversam animadamente sobre religião e política. O ânimo é tal que acabam por não pregar olho.

À 1h30 descem aos camarotes para colocar as malas no corredor e, depois de um chá quente com o restante grupo, se despedem da magnífica tripulação do Nile Admiral para, depois entrarem no autocarro que vai transportar o grupo, numa viagem de 4 horas, até Abu Simbel.

Oh Alê Rê...

Depois da festa lusa, chegou-nos o desafio de um dos filhos do proprietário do barco que, trepando à cobertura desafiou-nos a cantar com ele uma canção de Assuão - "Oh Alêre".