domingo, 21 de setembro de 2008

Rumo a Edfu

Após uma manhã repleta de visitas, é tempo de regressar ao navio que, pelas 13h30, vai levantar âncora rumo a Edfu.


O tempo está quente, mas não tanto como nas últimas semanas. Após o almoço, servido no salão de jantar, é tempo de subir à cobertura do navio para tomar um café e apreciar as belas paisagens que o Deus Hapi nos oferece.


O Grande Hino de Hapi

Salvé Hapi, tu que surgiste da terra. Que vieste para dar vida ao Egipto. Criação de Ré para unificar todo o que padece de sede.

Senhor dos peixes que permite que vão para sul as aves migratórias.

Quando ele transborda a terra enche-se de júbilo e todos os seres se alegram.

Conquistador do Duplo País, que enche os armazéns. Que engrandece os grãos, que dá bens aos indigentes.

À medida que nos aproximamos da comporta de Esna, aumenta a nossa expectativa sobre o que vamos encontrar.


Passam poucos minutos das 17 horas quando o nosso navio é abordado por uma série de pequenas embarcações que lançam amarras ao nosso navio. A bordo jovens comerciantes de túnicas e gabálias que nos atiram a mercadoria para a cobertura do navio para quem após uma avaliação do artigo, procuremos um preço que vá ao encontro das nossas aspirações e das do vendedor.


A avaliar pelas inúmeras passagens de modelos na cobertura do nosso navio, o negócio foi um sucesso. De tal modo, que a noite já tinha caído e havia ainda quem negociasse com os persistentes vendedores que não se cansavam de atirar a mercadoria para nós.


Porque isto de regatear preços tem muito que se diga, nada como um banho retemperante na piscina do barco, ainda antes do jantar.


O Templo de Karnak

Um colosso...

O Templo de Hatshepsut

Hatshepsut

Saciada a sede com karcadé, chá de menta, água fresca ou café turco (oferecidos pelos comerciantes) é tempo de voltar ao autocarro, carregadinhos de peças em alabastro para oferecermos a quem ficou em Portugal.


Oficina de alabastro em Tebas

Pelo caminho, o nosso "líder" brinda-nos com uma belíssima história. A da bela e determinada Hatshepsut que tendo sido preterida pelo faraó seu pai, o grande Tutmosis, para o suceder no trono (preferindo que ela esposasse o novo faraó), acabou por aproveitar a morte demasiado prematura do faraó seu esposo e o facto do sucessor ser demasiado pequenino para, ela própria, se tornar Faraó do Egipto.

Porque no tempo em que viveu, quem se casasse com o Faraó não tinha outro estatuto senão o de esposa, a bela Hatshepsut conseguiu convencer o Clero do direito ao trono do Egipto com o argumento de que ela descendia directamente de Amon-Ra (considerado o rei dos deuses).
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Hatshepsut

Fazendo-se representar com corpo masculino e a barba postica, este faraó feminino abandonou a guerra e fez o Egipto voltar a actividades pacíficas, tais como a manutenção das rotas de comércio com o exterior, que tinham sido fechadas durante o domínio dos hicsos e a construção de grandes monumentos como o que vamos visitar em Tebas.

O alabastro egípcio

A caminho do Templo de Hatshepsut, uma paragem numa oficina de alabastro.


Preocupado com os seus "habibis", o líder dá uma lição sobre alabastro e basalto para que nas nossas compras não sejamos levados a comprar gato por lebre. Sim, porque é comum aos turistas comprarem peças em cimento e plástico, julgando que estão a comprar peças naqueles dois materiais.



Depois da aula, foi dado algum tempo, para que quem quisesse efectuasse as primeiras compras, pondo à prova os seus dotes de negociante.

No Vale dos Reis

Entrada no Vale dos Reis

Necrópole do Império Novo, o Vale dos Reis localiza-se nas montanhas de Tebas, numa zona remota e árida, onde os faraós mandaram escavar as suas sepulturas, na expectativa de conseguirem impedir os roubos dos valiosos tesouros que os acompanhavam para a Vida Eterna.


Pese embora, a beleza das inúmeras pinturas representando as páginas do Livro dos Mortos que embelezam os corredores e câmaras funerárias... a verdade é que, no que toca aos tesouros, os mesmos foram roubados por inúmeros saqueadores.

Howard Carter


E porque de saqueadores se falou, uma indignada homenagem a Howard Carter (egiptólogo britânico que em 1922 descobriu a sepultura de Tutankhamon) que, deslumbrado com o valioso tesouro que acompanhava o jovem faraó, não olhou a meios para retirar tudo do interior da câmara funerária, ao ponto de ter danificado irreversívelmente a múmia do faraózinho (forma carinhosa como o nosso leader se dirige ao jovem estadista que morreu com 19 anos de idade.