É a caminho da próxima etapa desta nossa visita que o nosso líder nos explica o conceito de cidade dos mortos-vivos. Algo que à primeira vista poderia parecer saído de um qualquer filme de terror. Mas tal não corresponde à verdade.
Assim, recuemos ao período do conflito entre o Egipto e Israel. Os cairotas menos abastados, sem possibilidade de fugir aos possiveis bombardeamentos israelistas, lembraram-se que os cemitérios seriam os únicos locais onde as bombas não cairiam e, aproveitando o facto da maioria dos jazigos parecerem autênticas habitações por incluirem salas, quartos e, em alguns casos, até possuirem cozinha - pois segundo a antiga tradição egípcia os familiares deveriam permanecer, anualmente, junto dos seus entes falecidos durante pelo menos 40 dias - os cairotas transformavam-nos, agora, nas suas próprias habitações abrigando-se, assim, de qualquer possivel bombardeamento israelita.
Porém, se é verdade que a guerra terminou, esta situação jamais se alterou. Hoje em dia, esses jazigos são ocupados por cerca de 1 milhão de sem-abrigos que, distribuidos pelos cinco cemitérios desta cidade com 16 milhões de habitantes, constituem, assim, a Cidade dos Mortos-Vivos.
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